Produtos Silvestres (Cogumelos Silvestres)

Os cogumelos silvestres desenvolvem-se no interior de pinhais e bosques, onde existam folhas secas e manta morta em decomposição. De um modo geral, são apanhados logo de manhã, passam pelo arrefecimento, são embalados, chegando ao circuito de distribuição ao fim da tarde. O consumidor usufrui, deste modo, de um produto de qualidade, pois encontra-se disponível no próprio dia.
Os cogumelos são muito apreciados pelo mercado a nível da gastronomia, do turismo e da indústria farmacêutica.  Desempenham, ainda, complexas funções bioquímicas que determinam as condições de estabilidade e fertilidade dos solos.

A sua produção enquadra-se numa estratégia de preservação da diversidade biológica e de exploração económica.

A maior parte dos cogumelos são comercializados em fresco, mas outros são secos (conservação por desidratação), congelados (conservação por baixas temperaturas), esterilizados (conservação por altas temperaturas) ou em salmoura (conservação em sal ou em vinagre).

A comercialização dos cogumelos silvestres efectua-se durante os meses de março, abril, maio, outubro e novembro, altura em que existe precipitação e, simultaneamente, as temperaturas são amenas. O escoamento no mercado nacional está garantido, sendo as transacções efectuadas através de hipermercados, mercados abastecedores, hotéis e restaurantes. Cerca de metade da produção é escoada para fora do país, nomeadamente para os mercados espanhol e francês.

Para além dos cogumelos existem muitos outros produtos associados à floresta com elevado valor nutritivo e muito apreciados, como por exemplo os espargos, os pequenos frutos silvestres,  as plantas aromáticas, condimentares e medicinais que, associadas à floresta, promovem a valorização da produção de bens não lenhosos.

Os cogumelos, além de serem alimentos de alto valor nutritivo, com quantidade de proteínas quase equivalente à da carne e superior a alguns vegetais e frutas, ricos em vitaminas e com baixo teor de gordura e hidratos de carbono, os cogumelos estimulam o sistema imunológico e têm-se se mostrado importantes aliados no tratamento complementar de doenças que afetam a população mundial.

Todos estes produtos silvestres associados à floresta constituem uma mais valia sócio - económica para as explorações.

Não obstante o interesse e importância dos cogumelos silvestres, deverá ter-se sempre presente a existência de variedades venenosas altamente prejudiciais à saúde humana, podendo, em última instância, causar a morte. Algumas destas variedades podem ser confundidas, devido ao seu aspeto semelhante, com espécies comestíveis. A título de exemplo, neste alerta (documento PDF – anexo a este tema) e neste artigo, são descritas algumas destas situações, que não podem ser descuradas, devendo a recolha de cogumelos silvestres para consumo ser efetuada apenas por pessoas devidamente habilitadas/conhecedoras, quer seja através de eventual formação específica, quer seja através do conhecimento prático transmitido de geração em geração.

Nova espécie de cogumelo silvestre mortal

ALERTA

Descoberta de cogumelo silvestre mortal responsável pela maioria das intoxicações no Outono O Macrolepiota procera, vulgarmente conhecido entre outros nomes vulgares por frade, gasalho, roque, marifusa, o da calcinha, púcara, roca, tortulho, é o cogumelo silvestre comestível mais apanhado e consumido em Portugal. Esta espécie está presente, com muita frequência, na dieta alimentar de uma grande parte da população rural. Por razões de desconhecimento e de receio, a nível familiar a apanha e o consumo restringe-se muitas vezes apenas a esta espécie, baseados num princípio de que é fácil a sua identificação, em particular pelas características do chapéu e pela existência de um anel, concluindo daí, de forma precipitada, não haver possibilidades de confusão com outros cogumelos. Foram no entanto recolhidos vários relatos de casos de intoxicação, alguns dos quais mortais, por pressuposta ingestão de Amanita phalloides, confundidos por Macrolepiota procera. Os exemplares recolhidos e os testemunhos directos ou por terceira pessoa vieram confirmar que nunca se tratou de Amanita phalloides, apontando, de facto, para o consumo de Macrolepiota venenata, uma espécie semelhante nalgumas características ao Macrolepiota procera. Ultimamente tem-se notado o aparecimento, com alguma frequência, de exemplares de Macrolepiota venenata. No entanto esta espécie, recentemente identificada, ainda está pouco estudada, sendo a informação produzida escassa e pouco divulgada. A pouca atenção dada às características macroscópicas na identificação do Macrolepiota procera, o desconhecimento da generalidade das pessoas sobre a existência de uma espécie não comestível, muito semelhante, assim como a Macrolepiota procera manutenção do uso do alho e de objectos em prata como método vulgar de confirmação da comestibilidade dos cogumelos, têm conduzido à ingestão de Macrolepiota venenata e provocado intoxicações que foram do simples mau estar à morte, por falta de assistência atempada. Numa altura em que cresce a pressão da colheita e se nota um aumento das populações de Macrolepiota venenata, por uma questão de saúde pública e para evitar intoxicações que de forma sistemática continuam a ocorrer todos os anos, afectando particularmente crianças e idosos, afigura-se premente alertar e dar a conhecer de forma alargada, a existência desta espécie semelhante e os riscos que derivam do seu consumo. Resumida e comparativamente ao Macrolepiota procera: o Macrolepiota venenata, espécie tóxica a rejeitar, tem uma forma atarracada (o chapéu pode apresentar dimensões semelhantes ao frade mas o pé é mais pequeno); o chapéu, inicialmente globoso, não tem mamilo central; a cutícula rompe-se mais radialmente e as escamas são maiores e menos uniformes; as lâminas avermelham ao toque; o pé é liso e o bolbo do pé é marginado; o anel não é móvel, é mais simples e central; e, em jovem, toda a carne avermelha ao corte. Contrariamente ao que a maioria das pessoas julga, não se pode facilitar com o Macrolepiota procera. A sua apanha exige de todos um aprofundado conhecimento das características distintas destas duas espécies, passíveis de confusão.

Medidas de Apoio no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural – Continente PDR 2020 existem apoios destinados às atividades turísticas associadas à caça, em espaços florestais:

Medida 4 – Valorização dos Produtos Florestais

Operação 4.0.1. Investimentos em Produtos Florestais Identificados como Agrícolas no Anexo I do Tratado

Medida 8. Proteção e Reabilitação de Povoamentos Florestais

Ação 8.1-Silvicultura Sustentável

Operação 8.1.6-Melhoria do Valor Económico das Florestas

Para mais informações consultar, a título de exemplo:

Despacho n.º 7161/2015, de 30 de junho
Cria os cursos de formação profissional na área da micologia.

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